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Processo criativo

Padrão

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para a galera do Sar’Altino

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O verso revela o mundo
e seus caminhos.

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Abrem-se os olhos para ver
as arestas que brilham sob o sol
as faces escondidas sob a sombra.

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Não há pressa.

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O verso e os olhos
são flor que desabrocha
são fruto que amadurece.

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Rocha esculpida pelo tempo e o vento
da consciência.

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Hiato

Padrão

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I

verso silencioso
……..silenciado

bicho acuado no beco

cego de tanto olhar
mudo de tanto ouvir

sentinela atrofiada da história

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II

pela janela

metrópole órfã de estrelas
(esses fantasmas
cicatrizes da origem de tudo)

metrópole engolidora
de gentes e gestos

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metrópole de ruídos
silêncios interrompidos

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III

luz dourada
no escuro
da madrugada

gargalha nas fuças do verso

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IV

entre a gipsita
e o cassetete

o verso escrito errado
em linhas certas

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V

entre tarefas e tarifas
afazeres berros e murros
agendas prazeres e prazos

presente passado e futuro
alinhavam tempo e espaço

o verso escalpelado

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VI

arsenal de possibilidades
tomado de assalto
à luz do dia

o presente
perde espaço
pro passado

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(que não se passa a limpo)

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VII

favo e favor
o verso traduz trabalho

flavor de existência diário

e o cu com isto?

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VIII

a caderneta
o lápis
o lapso

uma gargalhada
uma golada de café amargo

que a vida já é doce
e levar-se a sério já é demais

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