Tag Archives: metapoesia

Éculo 2

Padrão

.

o cara que vendia pão
faz versos
com os olhos abertos

.

………………………..sem óculos
………………………..sem ósculos
………………………..sem oráculos

.

.

Arpillar

Padrão

.

É difícil compor um poema
com este mosaico a pairar nos pensamentos
destilado entre suores sangue e secreções.

.

Imagens anseios e lembranças se sobrepõem
convulsamente entre a vigília e a insônia
como outdoores em uma cidade.

.

A razão alinhava retalhos
tão isolados disformes e embaralhados
quanto meu povo e seu afã.

.

.

Perseguição*

Padrão

.

A sua face e o seu verso
perseguem-me por toda parte.


Percebo você nas paredes pintadas de preto
e de branco
nas portas dos presídios, dos palácios, dos prostíbulos
e do meu apartamento
nas praças, nos parques, nas pedras
e nos presépios
nas pegadas e marcas que deixei no asfalto
e nos paralelepípedos.


Penetra meus pensamentos e meus poros
pulsa em meus pulsos, na minha pupila
polui e povoa a minha visão de tudo
– sendo belo ou não.


Punge daquilo que sou e que fui
elementos e pedaços soltos
E se traduz numa terceira coisa
que já não mais me pertence.

Jonathan Constantino

*da coletânea
“Revelações do abismo”
no prelo