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Aurora

Padrão
dos diálogos com Carlos Drummond de Andrade
e com Alípio Freire

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Havemos de amanhecer, camaradas
mesmo que a noite
de aparência interminável
Persista.

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Embora lamacento e movediço
é este o caminho que temos.
Embora incertos e inseguros
nossos passos são o que temos de mais concreto.

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Nossas vistas
já acostumadas com o breu
não reconhecem flores buracos mariposas.
Para evitar maiores quedas
é preciso tatear o caminho
……………..seus contornos
……………………..entornos
……………………..entraves.

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Abatidos carregamos cicatrizes
hematomas e um coração ferido.

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Em nossa pele as marcas
do muro que se desfez
do fuzil tirado de nossas mãos
(com o qual nos balearam)
das frustradas tentativas de trincheira
da estrela tão luminosa que se apagou.

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A noite nos surpreendeu.

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Mas não há por que desespero
ou confiança cega
− a manhã já mostra seus sinais.

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Havemos de receber no rosto
os primeiros raios de sol a iluminar nossas faces
− havemos de enfrentar o dia
e o risco do entardecer.

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Quando o crepúsculo se elevar no horizonte
não entremos em pânico
nem definhemos saudosos de alvoradas do passado.

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No romper da nova noite
talvez já não creiamos em auroras.

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Cada madrugada traz seus riscos
e a possibilidade de novas manhãs
− até que o universo anoiteça definitivamente.

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Nesta madrugada de densa escuridão
não podemos resignar nossos passos
amputar o caminho já feito

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É imprescindível seguir.

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Jonathan Constantino
13 de dezembro de 2009