Mignon et circensis

Padrão

dos apoiadores do Golpe 3
ou
dos diálogos com Gilberto Gil, Drummond e Torquato Neto,
Chico Science, Roberto Bolaños e Manoel Bandeira

 

1

com a suave sensação
de que era melhor ter ido ao mangue
catar caranguejos borboletas e unicórnios
assistido ao filme do pelé
ou dançado um tango argentino
o homem deglute a bandeira nacional
servida em atacado no estacionamento
diante da paisagem da janela

.

escuta pela TV
as notícias das passeatas da CBF
ou dos patriotas da torcida canarinho
— não distingue ao certo

.

2

são todos bem saudáveis
teriam tomado o bom leite do leiteiro de drummond?
ou um complexo vitamínico
(já propagandeado pelo apresentador global dos sábados vespetinos)?

.

falam de filé mignon
distriuído no coliseu
ou pão na frente da fiesp
— não distingue ao certo

.

a brisa geme um refrão
— é a mesma dança, meu boi

.

3

ouve boquiaberto
baforando a fumaça do marlboro
relatos sobre a marcha da família com deus pela liberdade
realizada no plenário do congresso
e o relato dos deputados
desfilando em nome do pai
…………………………do filho
…………………………do espírito santo
…………………………da mãe
…………………………da mulher
…………………………da amante
…………………………dos amigos
…………………………do curral eleitoral
…………………………e do próprio umbigo

.

tudo orquestrado por um padre de hollywood
pelas ruas da capital paulista

.

— o homem é uma porta, nada compreende
mas sente falta das echarpes e dos tubinhos pretos

.

4

vê as imagens do presidente da câmara
decretar a vacância do cargo da presidenta
que estaria fora do país
(assim como o dinheiro que ele aplicou na suíça)

.

descobre que a atual embaixadora dos eua no brasil
já esteve em outros países latino americanos
(inclusive no paraguai quando demitiram o bispo que virou presidente)

.

lilyana teme que brunzundanga
se torne uma nova china, cuba ou venezuela

.

— é a mesma dança, meu boi

.

5

é informado que o petróleo
não será monopólio do brasil
nem da petrobras
(incorrigíveis filhos da corrupção)
e que o berço da democracia e liberdade
poderá planar suas asas de rapina
para proteger nossas riquezas
e nosso futuro

.

— é a mesma dança, meu boi

.

.

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About j.constantino

Nascido em Mogi das Cruzes (SP), em setembro de 1986, Jonathan Constantino rascunhou seus primeiros versos em 1999. Perdidos todos nas gavetas e no tempo, desde 2000 mantem o esforço de registrar seus poemas, entre rascunhos (uma pilha, depois uma caixa) e projetos. Formado em Biologia, atualmente é professor da rede pública municipal de São Paulo (SP). Trabalhou na rede pública estadual e, por três anos, no Instituto Técnico de Formação, Pesquisa e Extensão em Agroecologia Laudenor de Souza, em Itaberá (SP). Além da licenciatura, já atuou como educador popular do CDHEP, na zona sul da capital paulistana, e na assistência social de Suzano, cidade onde viveu quase toda sua vida. Ainda, contribuiu com reportagens, artigos, resenhas, poemas e contos para o Jornal Brasil de Fato e revistas Mundo & Missão, Missões e Le Monde Diplomatique Brasil. Está preparando sua primeira publicação.

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