Muro

Padrão

dos diálogos com Paul McCartney,

John Lennon,
Carlos Drummond de Andrade

e Belchior

 

para Ivanilde, minha mãe

I

o ar é rarefeito
……………….escasso
debaixo dos destroços

.

pesam sobre as costas
da história

.

…………………………….as  nossas

.

II

já faz tempo
…..o tempo dos cabelos e bandeiras ao vento

.

III
chegamos perto da fronteira da derrota
e da loucura
de um caminho de frio e sombras

.

IV

o corpo suporta as balas do suicídio
o esperma esporrado a contra gosto
a água benta de reuso

.

orelhas cabeças gritos olhos e braços
decepados em praça pública

.

as curvas pecaminosas do corpo
…………………………………………………………………………………….alvejado
……………………………………….do travesti

.

em tempos de homens partidos

.

V

não é recomendável ficar sobre o muro
mas já não há muro

.

haverá vida após os escombros?

.

VI

no submundo
um submarino vermelho
submerso e sorrateiro
naufraga
sob os destroços do muro
………………………………e os ossos dos bolcheviques

.

VII

(bolsas e boutiques
não fazem bater mais forte
……………este coração)

.

VIII

há um muro no meio do caminho
no meio do caminho há um muro
de condomínio fechado

.

um muro no meio do rumo
dos meus olhos

.

detrás do muro no meio do caminho do rumo dos meus olhos
há um outro mundo

.

IX

quando a manhã desmadruguece
eu, pássaro negro
rastejo para fora dos escombros
recolho um resto de canto e asas quebradas
e tento enxergar

.

a esperança é uma tarefa difícil
conjugada na primeira pessoa do plural

.

X

é preciso lutar quando o mais fácil é ceder

.

mas agora eu só quero ir pra casa

 .

.

São Paulo, setembro de 2011/fevereiro de 2014

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About j.constantino

Nascido em Mogi das Cruzes (SP), em setembro de 1986, Jonathan Constantino rascunhou seus primeiros versos em 1999. Perdidos todos nas gavetas e no tempo, desde 2000 mantem o esforço de registrar seus poemas, entre rascunhos (uma pilha, depois uma caixa) e projetos. Formado em Biologia, atualmente é professor da rede pública municipal de São Paulo (SP). Trabalhou na rede pública estadual e, por três anos, no Instituto Técnico de Formação, Pesquisa e Extensão em Agroecologia Laudenor de Souza, em Itaberá (SP). Além da licenciatura, já atuou como educador popular do CDHEP, na zona sul da capital paulistana, e na assistência social de Suzano, cidade onde viveu quase toda sua vida. Ainda, contribuiu com reportagens, artigos, resenhas, poemas e contos para o Jornal Brasil de Fato e revistas Mundo & Missão, Missões e Le Monde Diplomatique Brasil. Está preparando sua primeira publicação.

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