Manifestações

Padrão

.

I

o trânsito paulistano
é uma manifestação
quase folclórica
resultado da manifestação
da paralisia dos automóveis

.

II

numa noite qualquer
os veículos se movimentam
na velocidade
………………de um cágado

.

III

dentro do ônibus
……………………….a população
……………………….o cobrador
……………………….o condutor
……………………….e a tosse seca de uma velha
ralhavam

.

contra a demora
………..o demônio
………..o anda para anda
…………..para para
…………..engatinha

.

e principalmente
contra um ato político
nas ruas

.

IV

os manifestantes
eram contrários ao aumento
do preço das passagens
do transporte público

.

V

os jornais proclamavam
em alto e bom som
em caixa alta e boa fonte
que, aqueles, reivindicavam
o direito de vandalizarem

.

VI

entre o povo corria
o boato
de que se tratava de noias
com baseado e sem trabalho
saudáveis e bem dispostos
para atrapalhar o trânsito
…………………………………..e o regresso ao lar
dos trabalhadores da metrópole

.

que em média consomem
três horas diárias
no transporte público

.

VII

o trânsito
artéria urbana obstruída

.

………………………………….fluía

.

VIII

a cada dia que passa
a cada carro que para
a cada km da paralisia viária

.

fico mais impressionado
com o grau de politização
do povo desta cidade

.

principalmente das almas penadas

.

faça chuva ou sol
todos os dias do ano
(exceto em período de férias escolares)

.

colocam seu bloco e protesto nas ruas

.

.

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About j.constantino

Nascido em Mogi das Cruzes (SP), em setembro de 1986, Jonathan Constantino rascunhou seus primeiros versos em 1999. Perdidos todos nas gavetas e no tempo, desde 2000 mantem o esforço de registrar seus poemas, entre rascunhos (uma pilha, depois uma caixa) e projetos. Formado em Biologia, atualmente é professor da rede pública municipal de São Paulo (SP). Trabalhou na rede pública estadual e, por três anos, no Instituto Técnico de Formação, Pesquisa e Extensão em Agroecologia Laudenor de Souza, em Itaberá (SP). Além da licenciatura, já atuou como educador popular do CDHEP, na zona sul da capital paulistana, e na assistência social de Suzano, cidade onde viveu quase toda sua vida. Ainda, contribuiu com reportagens, artigos, resenhas, poemas e contos para o Jornal Brasil de Fato e revistas Mundo & Missão, Missões e Le Monde Diplomatique Brasil. Está preparando sua primeira publicação.

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