Monthly Archives: Dezembro 2012

Éculo 1

Padrão

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com os olhos abertos
sem óculos
o cara que vendia pão
e fazia versos
olha a paisagem distorci
…………………………..da
…………………………..de

..

enxerga bem a noite
……………….as luzes
……………….o céu nublado

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……………….as juras de amor
……………….os fogos de artifício

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……………….os mísseis as balas os corpos
…………………………………………os copos

 .

……………….e com um pouco de dificuldade
……………….o que está por trás
……………………………..as traças
……………………………..as traições

……………….– coisas paras quais seus óculos são inúteis

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A curva

Padrão

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I

olho a abóbada celeste
penso no redemoinho lácteo
……….na curva molecular da vida

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recordo a geografia dos passos
no caminho sinuoso
em que ficaram os amigos
os orgasmos os fantasmas
os moinhos de vento

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II

carrego um corpo
que apalpa morde cheira
…………………………….a manga
escorre em sulcos fluviais
no rosto

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um corpo
com sua bunda sorridente

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corpo que se funde a outro
na curva genital

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corpo desde a angulosa barriga
à espera
até o fio da foice

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III

lá fora
esquinas delirante inflexíveis
onde se depositam pessoas

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a chuva despenca gotas
o sol se transmuta arco-íris
e na bandeira o vento faz a curva

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IV

do cilindro em brasa entre os dedos
escapa a fumaça elíptica

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a derrapagem na tangente
a transgressão e o perigo
da curva
em um mundo caduco de 90º

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floresce um poema
entre a serpente rochosa dos Andes
e o berimbau litorâneo desta terra

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