Lapidado

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em memória do amigo Jubileu

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dos diálogos com Renato Russo,
Carlos Drummond de Andrade

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I

Soa estranha
a melodia do adeus.

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Dissonante e apressada
a morte se adianta
aos nossos anseios
tão humanos quanto ela.

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Anjos sem asas
arco-íris monocromáticos
paredes caiadas
(onde outrora aerosóis inscreveram
hieróglifos urbanos)
Arquitetam a difícil paisagem.

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O metrô vazio
às seis da tarde
nos permite digerir
a notícia.

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II

Desacorçoados
maquinamos possibilidades
Aléns
Post-scripta.

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Nossos projetos estão desacostumados
à ideia
inevitável e palpável
de um ponto final.

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III

Soa estranha
a melodia do adeus
que embala certas tardes
de maio
ou novembro

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em que nossos vivos se vão
jovens ou cedo demais.

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IV

Os mortos permanecem vivos
nas marcas
deixadas no caminho
ou tatuadas em nós.

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A vida nos cobra prosseguir
com nossas bagagens e cicatrizes
empunhando nossas bandeiras
carregando o maxilar de nossos antepassados.

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9 comments

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