Em busca

Padrão

.

IMORTAL

.

Deixe estar, minhas pobres mãos.

.

Deixai-lhes cuspir no papel
o que se passa em segredo comigo.

.

As palavras devem sair
da minha corrente sanguínea
de alguma forma
de qualquer forma

.

Ou me matarão.

.

A caneta é uma faca
que corta profundamente a minha pele.

.

Meu veneno escorre livre
e mancha lentamente minha pele
de papel
e me deixa viver.

.

.

ANIVERSÁRIO

.

os ponteiros rodam despercebidos
e deixam suas marcas

.

numa manhã nasci
numa tarde fui adolescente.
e de repente
– nesta noite sem lua –
sou um quarto de século de história

.

.

O QUE RESTA

.

Se a poesia falha
Se as palavras são imprecisas
Se é muito longa a distância entre elas
Se as pernas estão fracas demais para alcançá-las
Se o coração estiver morto para o amor

.

O que resta?

.

.

___________________________________________________________________________________________________________

Os três pequenos poemas acima são traduções de textos de minha amiga Nanda Fogli, brasileira que está estudando na Nova Zelândia. Acabamos por nos conhecer através dos poemas e da internet.

Desde lá, temos conversado, trocado opiniões e produzido cada um seus textos, a partir de seus repertórios de vida.

Particularmente tenho ficado contente com os resultados dos textos dela e enxerguei nestes três, vistos em conjunto, um todo poético interessante: pequenos poemas individuais que, em bloco, funcionam muitíssimo bem.

Para aqueles/as que se interessaram pelos textos desta minha amiga, visitem seu blog Cenicitas.

Anúncios

About j.constantino

Nascido em Mogi das Cruzes (SP), em setembro de 1986, Jonathan Constantino rascunhou seus primeiros versos em 1999. Perdidos todos nas gavetas e no tempo, desde 2000 mantem o esforço de registrar seus poemas, entre rascunhos (uma pilha, depois uma caixa) e projetos. Formado em Biologia, atualmente é professor da rede pública municipal de São Paulo (SP). Trabalhou na rede pública estadual e, por três anos, no Instituto Técnico de Formação, Pesquisa e Extensão em Agroecologia Laudenor de Souza, em Itaberá (SP). Além da licenciatura, já atuou como educador popular do CDHEP, na zona sul da capital paulistana, e na assistência social de Suzano, cidade onde viveu quase toda sua vida. Ainda, contribuiu com reportagens, artigos, resenhas, poemas e contos para o Jornal Brasil de Fato e revistas Mundo & Missão, Missões e Le Monde Diplomatique Brasil. Está preparando sua primeira publicação.

One response »

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s