Monthly Archives: Setembro 2011

Em busca

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IMORTAL

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Deixe estar, minhas pobres mãos.

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Deixai-lhes cuspir no papel
o que se passa em segredo comigo.

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As palavras devem sair
da minha corrente sanguínea
de alguma forma
de qualquer forma

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Ou me matarão.

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A caneta é uma faca
que corta profundamente a minha pele.

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Meu veneno escorre livre
e mancha lentamente minha pele
de papel
e me deixa viver.

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ANIVERSÁRIO

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os ponteiros rodam despercebidos
e deixam suas marcas

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numa manhã nasci
numa tarde fui adolescente.
e de repente
– nesta noite sem lua –
sou um quarto de século de história

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O QUE RESTA

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Se a poesia falha
Se as palavras são imprecisas
Se é muito longa a distância entre elas
Se as pernas estão fracas demais para alcançá-las
Se o coração estiver morto para o amor

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O que resta?

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Os três pequenos poemas acima são traduções de textos de minha amiga Nanda Fogli, brasileira que está estudando na Nova Zelândia. Acabamos por nos conhecer através dos poemas e da internet.

Desde lá, temos conversado, trocado opiniões e produzido cada um seus textos, a partir de seus repertórios de vida.

Particularmente tenho ficado contente com os resultados dos textos dela e enxerguei nestes três, vistos em conjunto, um todo poético interessante: pequenos poemas individuais que, em bloco, funcionam muitíssimo bem.

Para aqueles/as que se interessaram pelos textos desta minha amiga, visitem seu blog Cenicitas.

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A floresta

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A floresta é um grande bloco verde
cheio de mato e mato.

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Uma caixa de pandora verde
de mil cores
de mil caras
de mil contos.

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A floresta flui verde
parada no meio do mapa.

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Reza a lenda que o leito do rio é verde
e que há deusas, flores e amores
mergulhados nas águas.

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A floresta é um feixe verde
de algodão doce.

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A floresta, meu amigo
a floresta não é verde.

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Maio de 2010
Publicado originalmente em http://correspondenciapoetica.blogspot.com/
e na edição de Agosto de 2010, da revista Mundo & Missão