A flor no quintal

Padrão
dos diálogos com Alejandro Reyes
Belchior
Carlos Drummond

e Charles Trocate

Tinha uma flor
largada no quintal do mundo.

.

Não tinha nome força ou luz
para contrastar o tédio
ou despontar em ato primavera.

.

Sem permissão alguma
o sol na madrugada ardeu
e consumiu a flor
gemendo labaredas e abismo.

.

Quando a aurora brotou
restou ao dia chover em celebração.

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About j.constantino

Nascido em Mogi das Cruzes (SP), em setembro de 1986, Jonathan Constantino rascunhou seus primeiros versos em 1999. Perdidos todos nas gavetas e no tempo, desde 2000 mantem o esforço de registrar seus poemas, entre rascunhos (uma pilha, depois uma caixa) e projetos. Formado em Biologia, atualmente é professor da rede pública municipal de São Paulo (SP). Trabalhou na rede pública estadual e, por três anos, no Instituto Técnico de Formação, Pesquisa e Extensão em Agroecologia Laudenor de Souza, em Itaberá (SP). Além da licenciatura, já atuou como educador popular do CDHEP, na zona sul da capital paulistana, e na assistência social de Suzano, cidade onde viveu quase toda sua vida. Ainda, contribuiu com reportagens, artigos, resenhas, poemas e contos para o Jornal Brasil de Fato e revistas Mundo & Missão, Missões e Le Monde Diplomatique Brasil. Está preparando sua primeira publicação.

8 responses »

  1. concordo com “lindo” e com “profundo demais”.
    Não escondo que, dentro de mim, acrescentei um verso:
    “aquela chuva fez a flor desabrochar, perfumar embelezar o dia”

  2. Todos os dias, absolutamente todos, flores desabrocham escondidas no quintal, sao engolidas pela madrugada e todo mistério da vida é celebrado no fim do dia, esperando novamente o dia, a flor e o sol voltarem.
    Todos os dias isso acontece e pessoas chegam e vão sem perceber, sem ver, sem viver.
    Aí num poema, bem no meio da linha do tempo, vem alguém e te conta da flor. Obrigado.

  3. … Aí num poema, bem no meio da linha do tempo, vem alguém e te conta da flor, e então torna-se a flor, a flor sem nome, a flor sem força, a flor sem luz. Que pelo menos pra esse alguém, fez toda a primavera. Agora sim, Obrigado.

  4. E que venham mais sóis na madrugada; afinal a flor não se realiza enquanto tal se não for consumida desta forma “invasiva” e “sem permissão” nos quintais da vida.

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